Saídas

Um olhar febril,

já não contam mais segredos

publicou seu último desejo.

inúmeras notificações de mensagens

e elas já não dizem mais nada.

Uma agrura sem fim

decisão e saudades.

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próxima estação

tilinta nos trilhos a ida,

uma canção qualquer

na caixa rouca

e anunciam a próxima estação.

novo tempo – pra quem?

já me encontrei com minhas vontades

meias, inteiras, nunca fui pela metade.

o sol espreita pela janela embaçada,

uma segunda-feira, terceira ou quarta chance

de viver e vir a ser.

há passantes desgovernados, bocejos irritados,

telas de celulares e fake news.

olhares tortuosos, cansaço nessa pátria mãe

nada gentil do banco azul anil, bolsas

abarrotadas de tudo ou nada e a não ser a

fome de viver mais um dia.

no trilho oposto, aposto da próxima estação – desci.

a vida entrou em meu vagão.

next station, my bro!

Blue & bule

era às 16h

dava pra ouvir deboches e despautérios.

aprumei-me em preparar um bule com água,

passei um café, daqueles fraquinhos.

deitei-me na rede e sentia a brisa fresca

desajeitada respinguei café na minha camisa azul.

entretida com o movimento e alvoroço de rosa e azul danei a observar.

havia os sem fins do não-diálogo entre

o que podiam, os que não sentiam, os que não criam e os não entendiam.

lamuriosos.

dona Dolores gritou: – Cada um sabe de si! Amem-se

e no fim rolou o beijo mais apaixonado entre

o deus escreveu no livro e o de shorts cavado

tocando Like a Virgen na voz de Madonna ao fundo.

E eu adormeci sorrindo com meu blue.

 

Sufrágio

compadecia e observava na sala

o retorno do sorriso torpe em seu rosto

nem quisera ter encontrado em você

o bem querer!

sufrágio de ventos nesta tarde

prefiro o outono a este escaldo verão.

invoquei as deusas, cantei baixinho

só para que a alegria não me deixe

tão louca quanto já nasci.

parece que vou morrer

ou já morri.